Guia Completo sobre o Sinal 4-20 mA: O Coração da Instrumentação Industrial
Bem-vindo ao Dicas de Instrumentação! Se você está começando na automação industrial ou precisa revisar os fundamentos, o sinal 4-20 mA é essencial. Ele é o “idioma universal” dos transmissores e controladores. Abaixo, detalhamos cada tópico com mais profundidade, incluindo exemplos práticos, dicas de troubleshooting e referências técnicas. Use isso para posts, infográficos ou tutoriais no site. Vamos mergulhar!
🔌 1. O que significa 4–20 mA?
O sinal 4-20 mA é um padrão analógico usado em instrumentação para transmitir dados de variáveis de processo (como pressão, temperatura ou nível, vazão) de forma proporcional e confiável.
Em essência, um transmissor converte a grandeza física medida em uma corrente elétrica que varia linearmente entre 4 mA (valor mínimo ou “zero” da faixa) e 20 mA (valor máximo ou “span” completo).
Isso permite que o sinal represente 0% a 100% da escala configurada no transmissor.
No mundo da instrumentação, os 5 pontos de verificação mais comuns em calibrações são exatamente esses: 0%, 25%, 50%, 75% e 100%. Eles garantem uma verificação linear completa da faixa (span).
Por exemplo, em um transmissor de pressão com faixa de 0 a 100 bar:
A fórmula segue a mesma: Corrente = 4 mA + (Porcentagem × 16 mA).
Exemplo Atualizado:
- 0 bar (0% ou mínimo) → 4 mA
- 25 bar (25%) → 8 mA (calculado como: 4 mA + [(25/100) × 16 mA] = 4 mA + 4 mA = 8 mA)
- 50 bar (50% ou meio da faixa) → 12 mA (calculado como: 4 mA + [(50/100) × 16 mA] = 4 mA + 8 mA = 12 mA)
- 75 bar (75%) → 16 mA (calculado como: 4 mA + [(75/100) × 16 mA] = 4 mA + 12 mA = 16 mA)
- 100 bar (100% ou máximo) → 20 mA

Calculadora Rápida: Sinal 4-20 mA + Infográfico
Insira a faixa da variável (ex.: Pressão 0 a 100 bar):
Dica extra: A linearidade é chave — a corrente é diretamente proporcional à variável, o que facilita a calibração. Normas como IEC 61131-2 garantem essa padronização, evitando erros de interpretação em CLPs ou DCS. Em sites como o nosso, use uma calculadora online para simular faixas personalizadas!
🧠 2. Por que o sinal não começa em 0 mA?
Essa é a dúvida clássica dos novatos, mas tem uma lógica genial de segurança. Iniciar em 0 mA seria problemático porque correntes muito baixas (próximas de zero) poderiam ser confundidas com falhas elétricas, como fios rompidos ou perda de alimentação. Ao partir de 4 mA, criamos uma “margem viva” para o sinal, reservando valores abaixo disso para diagnósticos.
Especificamente:
- 0 mA indica falha crítica: fio rompido, transmissor sem energia ou curto-circuito total.
- ~3,8 mA é um alarme configurável no transmissor (ex.: sensor sujo ou calibração fora).
- ~3,6 mA segue o padrão NAMUR NE43 (falha grave detectável pelo sistema de controle).
Dica de troubleshooting:
Em uma planta, monitore pelo CLP em série no loop.
1- Se cair abaixo de 3,8 mA, pare tudo e verifique conexões — isso previne acidentes.
⚙️ 3. Por que 4–20 mA é o padrão mundial?
⚙️ 3. Por que 4–20 mA é o padrão mundial? Adotado desde os anos 1950 pela ISA (Instrument Society of America), o 4-20 mA domina porque equilibra simplicidade, robustez e versatilidade. Diferente de sinais de tensão (como 0-10V), que sofrem com perdas em cabos longos, a corrente mantém sua integridade.
Vantagens chave:
- Alta imunidade a ruídos: A corrente “empurra” através de interferências eletromagnéticas (EMI), ideal para ambientes industriais barulhentos.
- Precisão excelente: Quase zero atenuação até 1-2 km de cabo (com seção mínima de 1,5 mm²), graças à baixa resistência do loop (tipicamente < 600 Ω).
- Segurança intrínseca: Em áreas ATEX ou IECEx (explosivas), usa barreiras Zener para limitar energia, evitando ignições.
- Compatibilidade universal: Funciona com qualquer equipamento — de transmissores Rosemount a CLPs Siemens ou DCS Honeywell. Não precisa de conversores!
Curiosidade para o site: Países como Brasil seguem ABNT NBR IEC 61131, alinhada ao global. Compare com HART ou Profibus em um infográfico: 4-20 mA é o “trator” simples, enquanto os outros são “carros de corrida”.

🔄 4. Como funciona o loop 4–20 mA na prática?
O loop 4-20 mA é um circuito de corrente ativa em loop fechado, projetado para transmitir sinais analógicos de forma robusta em ambientes industriais. Diferente de circuitos de tensão (onde a voltagem cai com resistências), aqui a corrente é mantida constante pelo transmissor, independentemente de variações na carga (resistência total do loop). Isso segue a lei de Kirchhoff das correntes (IKC): a soma das correntes em um nó é zero, mas o transmissor age como uma “fonte de corrente controlada”, ajustando sua resistência interna dinamicamente para compensar drops de tensão ao longo do cabo.
- Alimentação típica: Fonte DC de 12-36 V (padrão 24 V, conforme IEC 61131-2), com compliance voltage (tensão de conformidade) mínima de ~12 V para suportar cargas até 1000 Ω.
- Faixa de loop: Resistência total < 600-800 Ω (cabo + receptor) para evitar saturação.
- Vantagem chave: Imunidade a ruídos — ruídos se somam como tensão, mas a corrente “empurra” através deles.
Topologias de Fiação: 2 Fios vs. 4 Fios
4 Fios: Separa sinal (2 fios) de alimentação (2 fios). Útil em transmissores de alta precisão ou longa distância, evitando interferência na regulação.
2 Fios (mais comum, loop-powered): O transmissor usa a mesma linha de sinal para alimentação e transmissão. Simples e econômico, mas requer fonte com drop mínimo.
Esquema Básico Passo a Passo
Imagine o loop como um “anel elétrico” unidirecional. Aqui vai o fluxo detalhado:
- Fonte de Alimentação (24 V DC): Fornece energia positiva (+) ao loop. (Polaridade: + no transmissor, – no retorno.)
- Transmissor de Campo:
- Mede a variável (ex.: sensor de pressão piezoresistivo).
- Converte para corrente proporcional: Varia um transistor interno (ex.: VFC — Voltage-to-Frequency Converter) para regular I = 4-20 mA.
- Exemplo: Pressão de 50 bar → Ajusta para 12 mA (4 mA base + 8 mA span).
- Cabo de Transmissão: Par trançado blindado (AWG 18-22), até 2 km sem amplificador. A corrente flui constante, com drop de tensão V = I × R (ex.: 12 mA × 300 Ω = 3,6 V drop).
- Receptor (CLP/DCS ou Indicador):
- Age como carga passiva: Um resistor shunt (ex.: 250 Ω) converte corrente em tensão (I × R = 1-5 V).
- Módulo A/D (Analógico-Digital) lê a tensão e escala via software (ex.: 4-20 mA → 0-100% ou 4-20 kPa).
- Retorno ao Negativo da Fonte: Fecha o loop, completando o circuito.

🧪 5. Sinal normal, sinal anormal — como interpretar?
Interpretar o sinal é vital para manutenção preditiva. O range normal é projetado para operação estável, com faixas de alarme para desvios. Monitore com registradores ou SCADA para trends.
Tabela de interpretação expandida:
| Corrente (mA) | Interpretação | Ação Recomendada |
|---|---|---|
| 3,8 a 20,5 | Operação normal (com tolerância de ±0,5 mA para ruídos). Pequenos desvios indicam variação real do processo. | Monitore trends; calibre anualmente. |
| ~3,8 | Falha configurada (ex.: underscale por sensor bloqueado). | Verifique configuração no transmissor (via HART/Bluetooth). |
| < 3,6 | Falha grave (NAMUR NE43): loop aberto, falta de 24V ou dano no transmissor. | Isolamento imediato; teste com fonte externa. |
| > 22 | Sobrecorrente (overscale): curto no sensor, falha de hardware ou span mal configurado. | Desligue loop; inspecione cabos e componentes. |
| 0 | Circuito totalmente aberto ou desligado. | Verifique fusíveis e conexões em campo. |
Diagnóstico de Sinal 4-20 mA
Meça a corrente no loop (Multímetro em série)
3,8 e 20,5 mA?
Monitore trends e calibre anualmente.
igual a 0 mA?
Verifique fusíveis e conexões físicas.
Se > 22mA: Verifique Curto-Circuito.
🧰 6. Usos práticos do 4–20 mA
Versátil, o 4-20 mA é onipresente na indústria 4.0, integrando sensores a redes IIoT. Além dos básicos, veja aplicações expandidas:
- Transmissores de campo: Pressão diferencial (orifício para vazão), nível ultrassônico, temperatura RTD/T/C, pH/condutividade em tratamento de água.
- Válvulas de controle: Posicionadores (ex.: Fisher) recebem 4-20 mA para modular fluxo (0-100% abertura).
- Indicadores locais: Manômetros digitais ou displays loop-powered que leem a corrente sem energia extra.
- Controladores PID: Em painéis, usam o sinal para laços de feedback (ex.: manter temperatura em reatores).
- Sistemas de telemetria: Em óleo/gás remoto, envia dados via rádio ou satélite para centros de controle.
- Bonus: Integração com Modbus ou Ethernet/IP via conversores, ou em drones para monitoramento ambiental.
Algumas analise de caso real :
1. O Caso da “Linha Rompida” (Falha segura)
Cenário: Em uma planta química, um profissional de montagem se apoiou por cima de uma eletrocalha, sem que percebesse o cabo de um transmissor de nível de um tanque de ácido rompeu.
Lição: O 4-20 mA diferencia “Tanque Vazio” de “Cabo Cortado”.
Se o sinal fosse 0-10V: O sistema leria “0V”. O controlador entenderia que o tanque está vazio (0%) e abriria a válvula de enchimento ao máximo, causando um transbordo catastrófico.
Com 4-20 mA: O sistema leu 0 mA (corrente abaixo do “Zero Vivo” de 4 mA). O PLC configurado para sinalizar alarma de falha NAMUR NE43 (falha grave detectável pelo sistema de controle) disparou imediatamente um alarme de “Loop Aberto” e colocou a válvula em modo de falha segura (fechada).
2. Monitoramento de Longa Distância em Mineração
Cenário: Um sensor de pressão instalado no topo de uma correia transportadora a 500 metros de distância da sala de controle.
O Problema: Sinais de tensão (0-10V) sofrem queda de potencial devido à resistência do cabo longo. O valor que sai como 10V chega como 9V, gerando erro de leitura.
A Solução 4-20 mA: Como é um laço de corrente, a intensidade é a mesma em qualquer ponto do fio. O controlador recebe exatamente os mesmos 20 mA que saíram do sensor, independentemente da distância ou da resistência dos cabos.
Lição: Precisão total mesmo em grandes distâncias sem perda de sinal.
3. Ambiente com Alto Ruído Eletromagnético (Motores e Inversores)
Cenário: Um transmissor de temperatura instalado ao lado de um motor de indução gigante acionado por inversor de frequência (VFD).
O Problema: Motores geram picos de tensão e interferência (EMI) que “sujam” sinais eletrônicos sensíveis.
A Vantagem: Laços de corrente de baixa impedância são naturalmente imunes a ruídos eletromagnéticos que afetariam facilmente sinais de alta impedância (como tensão). O sinal de 4-20 mA permaneceu estável, permitindo o controle fino da temperatura do mancal do motor.
Lição: Estabilidade em ambientes hostis e ruidosos.
4. Diagnóstico Remoto via Protocolo HART
Cenário: Um técnico precisa verificar a calibração de um transmissor de pressão localizado em uma área de risco (atmosfera explosiva) onde ele não pode entrar sem parar a planta.
A Prática: Como o sinal 4-20 mA usa apenas uma parte da banda, o protocolo HART “pega carona” (modulação digital) sobre os fios analógicos. O técnico, da sala de controle, acessou o menu do sensor, verificou o número de série e a última data de calibração sem tocar no instrumento.
Lição: O 4-20 mA é a base para a digitalização (HART), permitindo manutenção preditiva.
| Problema | Solução 4-20 mA | Benefício Real |
| Cabo Rompido | Zero Vivo (4 mA) | Segurança (Fail-safe) |
| Distância Longa | Corrente constante | Sem queda de sinal |
| Interferência | Baixa impedância | Imunidade a ruídos |
| Falta de Energia | Loop-powered | Economia de fiação (2 fios) |
Instrumentação Automação como Identificar falhas loop de 4-20 mA – Dicas de Instrumentação
Vivace Process
