Projeto de Instrumentação — Primeiro, entenda o processo Capítulo 2

Projeto de Instrumentação — Primeiro, entenda o processo Capítulo 2

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No capítulo anterior, estabelecemos uma forma diferente de estudar um projeto de instrumentação.

Antes de começar a procurar TAGs, instrumentos e documentos específicos, precisamos construir uma visão geral do projeto.

E agora vamos dar o primeiro passo nessa direção.

Como entender e compreender o processo?

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Essa pode parecer uma pergunta simples. Mas, na prática, ela muda completamente a forma como analisamos um projeto de instrumentação.

Quando recebemos uma documentação de projeto, é muito comum começar imediatamente procurando os instrumentos.

  • Transmissor de pressão.
  • Transmissor de temperatura.
  • Medidor de vazão.
  • Válvula de controle.
  • Alarme.
  • TAG.

Mas existe uma pergunta que deveria vir antes de todas essas outras:

O que está acontecendo nesse processo?

Antes de procurar o instrumento, precisamos entender aquilo que o instrumento está ajudando a observar, controlar ou proteger.

Imagine o processo que utilizaremos como referência ao longo desta série:

Tanque T-101 → Bomba P-101 → Trocador de calor E-101 → Linha de saída.

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Neste primeiro momento, não precisamos nos preocupar com instrumentos.

Vamos simplesmente observar o processo. Perceba que podemos contar a história da planta sem mencionar um único instrumento:

  • O Recebimento: O fluido chega ao tanque T-101, cuja função é apenas receber e armazenar o produto.
  • A Movimentação: Depois, o fluido é sugado pela bomba P-101. Ela é a responsável por promover o deslocamento do fluido para a próxima etapa.
  • O Condicionamento: Na sequência, o produto é recalcado através do trocador de calor E-101, onde ocorre a transferência de calor necessária.
  • A Saída: Por fim, o fluido segue para a linha de saída.

Esse é exatamente o exercício que queremos desenvolver: entender o processo “nu” antes de vesti-lo com a automação.

Ao analisar um processo pela primeira vez, faça algumas perguntas simples:

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O que entra no processo?

O que acontece com o fluido nessa parte do processo?

Quais equipamentos participam dessa fase de operação?

Qual é a sequência das etapas?

O que acontece ao longo desse caminho?

E o que finalmente sai do processo?

Essas perguntas começam a transformar um desenho em uma sequência lógica de acontecimentos.Em vez de enxergar apenas símbolos e linhas, começamos a enxergar o funcionamento do processo. Essa condição de visão fica evidente entender que existe uma diferença importante entre reconhecer um equipamento e compreender o processo.

Com esse entendimento torna-se mais fácil olhar par ao desenho e identificar rapidamente um tanque -> bomba -> Trocador de calor, tubulação e demais componentes do sistema, mas isso não significa que entendemos o processo.

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O próximo passo é compreender o papel de cada equipamento dentro da sequência operacional.

Os equipamentos estão relacionados

O próximo passo é compreender o papel de cada equipamento dentro da sequência operacional.

Até aqui, identificamos o tanque, a bomba e o trocador de calor. Mas simplesmente reconhecer esses equipamentos ainda não significa compreender o processo.

Precisamos começar a fazer perguntas sobre o que acontece em cada etapa.

O que o tanque está armazenando?

Qual é o fluido?

Quais são suas características?

Conhecer o fluido e suas condições de processo é fundamental para compreender as etapas seguintes.

Por exemplo, as características do fluido — como densidade, viscosidade, temperatura e condição de operação — são informações importantes para avaliar a solução de bombeamento adequada, juntamente com a vazão e as pressões requeridas.

Portanto, a P-101 não pode ser analisada simplesmente como “uma bomba”. Ela está inserida em uma condição específica do processo e tem a função de deslocar aquele fluido para a etapa seguinte.

O mesmo acontece com o E-101.

Ele não é apenas um trocador de calor.

Precisamos compreender por que o fluido precisa ter sua temperatura alterada, quais são as condições de entrada e o que se espera na saída.

Perceba que cada equipamento participa de uma etapa diferente.

Mas essas etapas não acontecem de forma isolada.

Elas estão relacionadas.

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O que acontece em uma etapa influencia a etapa seguinte.

O fluido sai do tanque com determinadas condições, é deslocado pela bomba e chega ao trocador, onde uma condição do processo é modificada antes de seguir para a próxima etapa.

Podemos representar esse raciocínio de forma simples:

T-101 → P-101 → E-101 → SAÍDA

Armazenar → Deslocar → Transferir calor → Próxima etapa

É essa relação entre equipamentos, funções, condições do fluido e sequência que começa a revelar o funcionamento do processo.

O processo, portanto, não é uma coleção de equipamentos independentes.

É uma cadeia de operações em que cada etapa está relacionada às demais.

O que acontece no tanque influencia a condição de entrada da bomba.

A bomba influencia as condições com que o fluido chega ao trocador.

O trocador modifica uma condição do fluido antes que ele siga para a próxima etapa.

E é justamente essa relação que começa a construir o nosso entendimento.

Por isso, antes de procurar os instrumentos, precisamos primeiro compreender o que está acontecendo no processo.

Não basta saber o que cada equipamento é. Precisamos entender o que ele faz, por que ele está ali e como sua função se relaciona com o restante do processo.

É nesse momento que deixamos de enxergar apenas equipamentos isolados e começamos a enxergar o funcionamento do processo como uma sequência integrada.


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O processo é uma sequência

Um processo não acontece de forma aleatória. Ele é formado por etapas que acontecem em uma determinada sequência.

No nosso exemplo, o fluido:

entra no T-101 → é armazenado → é deslocado pela P-101 → passa pelo E-101 → tem sua temperatura modificada → segue para a próxima etapa.

Observe que cada equipamento realiza uma função específica, mas nenhum deles deve ser analisado isoladamente.

O resultado de uma etapa cria as condições para a etapa seguinte.

O tanque fornece o fluido para a bomba.
A bomba promove seu deslocamento até o trocador.
O trocador modifica uma condição do fluido antes que ele siga adiante.

Assim, começamos a enxergar o processo como uma cadeia de operações relacionadas.

Uma etapa prepara o fluido para a próxima.

Essa é uma mudança importante na forma de interpretar um projeto de instrumentação.

Não basta perguntar:

“Que equipamento é este?”

Precisamos perguntar:

“O que acontece nesta etapa e como isso se relaciona com a próxima?”

É dessa forma que deixamos de enxergar equipamentos isolados e começamos a compreender o funcionamento do processo como um todo.

Agora imagine que alguém pergunte:

“Por que existe um instrumento de nível no tanque?”

Se você conhece apenas o símbolo do instrumento, poderá responder:

“Porque é um transmissor de nível.”

Mas essa resposta apenas identifica o instrumento.

Se você compreende o processo, pode começar a fazer uma pergunta muito melhor:

“Por que precisamos conhecer o nível do tanque?”

Talvez seja necessário acompanhar a quantidade de fluido armazenada.

Talvez exista uma condição operacional que precise ser mantida.

Talvez determinado limite precise ser identificado.

A resposta depende do processo.

E é justamente essa relação que queremos aprender a construir.

Por isso, neste momento da série, ainda não precisamos escolher instrumentos.

Não precisamos discutir se determinada medição será feita por um transmissor específico.

Não precisamos analisar ainda o tipo de sinal, a malha ou o detalhe da instalação.

Estamos em uma etapa anterior.

Estamos construindo contexto.

Primeiro entendemos o que acontece.

Depois começamos a perguntar o que precisamos conhecer para acompanhar esse funcionamento.

Existe também uma maneira simples de testar se realmente entendemos um processo.

Feche o desenho.

E tente explicar o processo com suas próprias palavras.

Por exemplo:

“O fluido entra no tanque T-101, onde é armazenado. Depois é enviado pela bomba P-101 para o trocador E-101, onde ocorre uma transferência de calor. Em seguida, o fluido segue para a saída.”

Se você consegue explicar o processo dessa maneira, sem depender do desenho, já começou a construir uma compreensão real.

Se não consegue, talvez ainda esteja apenas reconhecendo símbolos.

E existe uma grande diferença entre reconhecer um desenho e compreender um processo.

Agora podemos dar um passo a mais.

Depois de entender o que acontece, precisamos observar como o processo está estruturado.

Precisaremos acompanhar as linhas.

Entender por onde o fluido passa.

Identificar o sentido do fluxo.

Compreender o que está a montante e a jusante de cada equipamento.

E aprender a utilizar documentos como o PFD para construir essa visão.

Mas isso será o assunto do próximo capítulo.


Por enquanto, queremos guardar uma ideia simples:

Conclusao do Capitulo 2 Entenda o Processo

Não comece pelo instrumento.

Comece pelo processo.

Pergunte:

O que entra?

O que acontece?

Qual é a sequência?

O que sai?

A partir dessas respostas, começamos a construir o contexto necessário para interpretar a instrumentação.


Podemos resumir o raciocínio deste capítulo em uma sequência:

Resumo do Processo de Instrumentacao 1

PROCESSO

↓

ETAPAS

↓

EQUIPAMENTOS

↓

FUNÇÃO DE CADA ETAPA

↓

COMPREENSÃO DO FUNCIONAMENTO

E somente depois começaremos a avançar para:

O QUE PRECISAMOS CONHECER?


Esse é o primeiro grande exercício de quem está aprendendo a interpretar um projeto de instrumentação.

Não olhar imediatamente para o instrumento.

Olhar primeiro para aquilo que está acontecendo.

Porque um instrumento não existe isoladamente.

Ele está inserido em um processo.

E quanto melhor entendermos o processo, mais fácil será compreender por que aquele instrumento existe, o que ele mede e qual informação ele fornece.

No próximo capítulo, vamos avançar mais um passo.

Já sabemos que o processo precisa ser entendido.

Agora vamos aprender a seguir o caminho desse processo.

Vamos observar:

os equipamentos, as linhas e o sentido do fluxo.

Porque entender o processo é o primeiro passo.

Aprender a percorrê-lo é o próximo.

Projeto de Instrumentação — Identifique as variáveis do processo Capítulo 3

International Society of Automation (ISA)